Semana passada chegou nossa cesta de alimentos diversos, agroecológicos e deliciosamente orgânicos da Comunidade que Sustenta a Agricultura(CSA) Guapuruvu, na qual eu sou co-agricultora. Nela, além de deliciosos alfaces verde, roxa e uma que me lembra até a frizzie(aquela toda cabeludinha), veio beterraba e… muito, muito coentro!

Não me leve a mal, aqui em casa, coentro tem uma ótima saída. Mas foi tão abundante, tão graciosa, tão generosa essa cesta, que precisei pensar em algo para fazer a erva durar. Em geral, sabe-se: ervas são delicadas, aromáticas, deliciosas, mas também com grande potencial para murcharem e estragarem rápido. Isso se dá devido à Atividade de Água(Aw) desses alimentos, que indica quanto de água solta nessa comida tem. Via de regra, quanto mais água livre(Aw) num alimento, maior a possível atividade bacteriana e degrante dele. Por isso, pensei logo numa forma de guardar o coentro que faria com que ele durasse meses, até 12(1 ano), e que faria com que o tivéssemos à disposição a qualquer momento.

Desidratação! Sim, eu comprei uma desidratadora de alimentos há alguns meses indicado pela nutricionista Juliane Palma (que também é minha parceira em pesquisas, ação social e voluntariado), e agora estou viciada no aparelho. Mas não se preocupe, que para desidratar alimentos não precisa necessariamente ter uma dessas. Eu mesma preferi porque é mais prático. Porém, existem outros métodos ótimos, alguns milenares, para você poder desidratar o seu coentro por aí também.
É muito importante seguir os procedimentos de higienização e armazenamento dos alimentos corretamente, para que haja segurança do alimento e disponibilidade plena dele por muito, muito tempo!
Primeira etapa: higienização do alimento
Primeiramente, pegue os maços do seu vegetal(no meu caso, coentro), lave em água corrente para retirar sujidades(como terra, bichinhos visitantes que estiverem por lá, entre outros). Aí, pegue uma bacia ou pote, coloque a ervinha, encha de água até cobrir completamente, e coloque hipoclorito de sódio para eliminar possíveis microorganismos patológicos. No meu caso, usei o da marca hidrosteril(isso não é uma pub, nem propaganda, e nem estou divulgando a marca para vocês comprarem! É só o que eu tinha em casa). PORÉM, você sabia que todo mundo tem direito a hipoclorito de sódio gratuitamente pelo SUS? Sim, é só colar numa Unidade Básica de Saúde(UBS) mais próxima da sua casa e pedir, que eles te dão. Na foto, mostro a marca que eu tinha em casa, e a que você consegue no SUS(é a mesma coisa, e eu acho a do SUS até mais charmosa…).



Siga sempre as instruções da embalagem. Em geral, para cada 1 litro de água, você bota 20 gotinhas de hipoclorito de sódio e deixa 15 minutos. Depois, escorra a água, lave novamente em água corrente para retirar o resíduo, e pronto, está higienizado!
Segunda etapa: desidratação
Método 1: desidratadora de alimentos.
Eu botei as ervas já higienizadas na desidratadora, de forma que elas ficassem espaçadas e não sobrepostas, e coloquei a 55º C por 12h seguidas, depois desliguei à noite, e liguei por mais 6h no dia seguinte. E pronto! Já estava sequinho.
Método 2: microondas
Esse método eu nunca tentei, mas eu ouvi de muita gente que funciona. Você seca muito bem as ervas após a higienização, e depois coloca num prato normal uma camada de papel toalha, depois uma camada das ervas(não muito grossa, assim como na desidratadora), e depois mais uma camada de papel toalha. Aí, você coloca no microondas na potência mínima(mais baixa possível) de 30 em 30 segundos, olhando sempre para ver se já secou, e com muito cuidado para não queimar. Quando secar, tira e segue para a etapa 3.
Método 3: ar livre dentro de casa
Você deve conhecer esse método: após higienizar todas as ervas certinho na etapa 1, seque direitinho as ervas com papel toalha ou um pano de prato bem limpinho, e aí pegue um barbante, selecione um punhado de ervas, amarre-as juntas com o barbante pelo “pé” ou pontinha, e pendure de ponta cabeça em algum lugar na sua casa longe da luz e da umidade. Uma observação importante: é recomendado embalar essas ervinhas para secarem com um voal(aquele famoso tecido de queijo), TNT ou, mais legal ainda, um saco de papel(pode ser de pão) para que nenhum bichinho pouse nas suas ervas limpinhas. Aí, pode ser que demore uns 15 dias para secar, ou menos, a depender do local que você vive, porque vários fatores influenciam, como umidade do ar, temperatura, etc. Fica de olho para ver se não deu ruim(às vezes, se estiver muito úmido o ambiente, pode dar fungo. Então é importante escolher certinho o local, mais seco possível), e acompanha sempre para ver se já secou. Aí passa para a próxima etapa!
Método 4: secagem ao sol, ou sun drying
Esse é clássico. Minha família é nordestina, da Bahia, e apesar de eu nunca ter ido para lá(ainda), eu ouço pessoal falar sempre sobre a carne de sol(carne-seca ou jerk beef), bacalhau, tomate-seco e, obviamente, as ervas secas. Você pega uma peneira de palha(fácil de achar e barato, viu? Se você for de São Paulo, tem várias lojas dentro do Mercado da Lapa que vendem), coloca as ervas nele, cobre com um voal/tecido de queijo para nenhum bichinho pousar nele, e bota no sol. Literalmente. Mas atenção: se for o caso das ervas, elas podem queimar ao sol ou perder suas propriedades mais legais – então, se for desidratar salsinha, coentro, manjericão, etc, coloca no sol até 10h da manhã, depois bota para secar numa área mais sombreada. E de noite SEMPRE retire da área aberta, nunca se sabe se vai chover enquanto você estiver a mimir. Em geral, as ervas secam bem rápido nesse método, então fica de olho que pode secar no mesmo dia ou em três dias, a depender da incidência solar.
Terceira etapa: armazenamento
Isso é muito importante também! Às vezes não damos bola para essa etapa, mas depois de tanto esforço, a gente quer que a nossa comidinha dure bastante, né? Então, vamos lá: após a secagem/desidratação ter sido feita, pegue as ervas, quebre-as com as próprias mãos limpas e secas em pedaços menores(do tamanho que quiser), ou moa num processador de alimentos se quiser menorzinho, e guarde num pote hermético, limpo, seco, com tampa bem selada. Esse pote precisa estar longe da umidade, da luz e de produtos químicos abrasivos. E aí, sua comidinha pode durar até 12 meses para consumir! Lembre-se de tempos em tempos dar uma olhada se está tudo certo, se as ervas não perderam o aroma ou a cor – isso indica não que está ruim para consumo, mas que já estão perdendo suas propriedades mais legais para a culinária. Aí é bom usar rápido ou, se realmente já tiver perdido tudo isso, compostar.



ATENÇÃO! Parte da etapa 3 é a etiquetação. É importante você colocar o seguinte:
- Nome do alimento(no meu caso, coentro desidratado)
- Data de envase(que dia você colocou no pote?)
- Data de validade máxima(você pode colocar duas datas: 6 meses e 12 meses para melhorar o controle. No meu caso, coloquei só 6 meses, porque depois disso, pessoalmente, eu opto por compostar hehehe).
Coloquei essas informações à lápis porque depois que terminarmos de comer todo esse coentro, posso lavar o pote direitinho, apagar essas informações e colocar nova erva e novas informações.

E aí, gostou de saber esses métodos? Eu, pessoalmente, sou fascinada por eles. Em breve trago mais dicas de formas de preservar alimentos. Enquanto isso, que tal participar de uma CSA você mesmo? É uma cooperativa de agricultores e co-agricultores (“gente da cidade”) que colabora com administração, plantio e até colheita e distribuição pela comunidade que participar dela. Aí, os preços dos alimentos (a “cota”) produzidos, organico e agroecologicamente, são diminuídos, porque os agricultores já vão ter essa ajuda dos co-agricultores. No caso da CSA Guapuruvu, a gente tem duas cestas por mês, quinzenais, abundantes, deliciosas e variadas, por 150 reais a cota. Alguns co-agricultores dividem as cotas, então cada um fica com meia cota de 75 reais. Aí cabe a você escolher o melhor método para sua casa.
Que tal seguir a página no instagram deles e ficar atento para mais novidades?
Até a próxima!
Referências:
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Plantas medicinais, aromáticas e condimentares: manual de boas práticas agrícolas (BPA). Brasília: MAPA, 2006. 48 p. Academia
BRASIL. Instrução normativa n.º 72, de 16 de novembro de 2018. Trata do manual de boas práticas de fabricação para produtos vegetais. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/inspecao/produtos-vegetal/arquivos/in-no-72-de-16-de-novembro-de-2018.pdf. Acesso em: 13/10/2025.
CSA Guapuruvu. Instagram, 2025. Disponível em: https://www.instagram.com/csa.guapuruvu/.
EMBRAPA. Plantas aromáticas e condimentares: uso aplicado na horticultura. Haber, L. L.; Clemente, F. M. V. T. (autores). Brasília: Embrapa, 2013. Embrapa
EMBRAPA. Plantas aromáticas e condimentares (plantações e condicionamentos). Infoteca-e. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/977687/1/PLANTAS-AROMATICAS-E-CONDIMENTARES.pdf. Acesso em: 13/10/2025. Infoteca Embrapa
EMBRAPA. Plantas condimentares: cultivo e utilização. Infoteca-e. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/981610/1/DOC13004.pdf. Acesso em: 13/10/2025. Infoteca Embrapa
Julis Palma. Instagram, 2025. Disponível em: https://www.instagram.com/julispalma/.
Esse post é também uma das minhas atribuições como Embaixadora do Programa de Embaixadores em Saúde Planetária 2025.


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