Eu estou fazendo uma pós-graduação na Escola de Medicina e Ciências da Vida pela PUC-PR chamada “Agricultura Urbana e Sustentabilidade Alimentar”. A primeira disciplina foi de Segurança Alimentar e Nutricional (meu tema favorito dentro da nutrição, e onde tenho direcionado meus trabalhos e pesquisas, a propósito) lecionada pela profª. Dra. Andreia Tecchio (andreia_tecchio). E, simultaneamente, uni-me ao movimento Slow Food (Cultura no Prato, São Paulo) por acreditar verdadeiramente no movimento. Essa resenha vai trazer um pouco do contexto do surgimento do Slow Food!

Introdução
Esta resenha se refere ao texto dos autores Renê Birochi, Oscar José Rover e Glauco Schultz chamado “Alimentos bons, limpos e justos da Agricultura Familiar Brasileira” – um livro de 2019 cujo capítulo de abertura é o que integra a presente atividade.
O texto traz um panorama inicial para pré-compreensão do movimento Slow Food. Inicialmente, fala sobre a centralidade do alimento, que vem sendo perdida com o passar das décadas, tomando uma posição puramente biológica ou de saúde em detrimento da cultural. Isso também se relaciona ao surgimento de alimentos como commodities, ou seja, mercadoria, ao invés de algo para alimentação humana como prioridade principal.
Desenvolvimento
Um conceito importante do texto é a colocação dos alimentos como ator principal num ciclo de agroecossistemas → resiliência do meio → mudanças climáticas → adaptação(homeostasia). Enquanto houver equilíbrio, há produção do alimento. Porém, as pressões do meio, como mudanças climáticas forçam o sistema a se adaptar, que afetam o agroecossistema e sua resiliência. Eventualmente, as mudanças climáticas forçam tanto a adaptação que o meio não consegue mais se adaptar, e isso afeta a cultura do alimento. Um exemplo disso é o café no Brasil, ou o azeite de oliva no mundo inteiro, cujo preço está exorbitante, devido a mudanças climáticas que afetam o ambiente ideal de produção deles. O tratamento do alimento tal qual mercadoria tem sido tão intensivo, que os autores citam exemplos como a gripe suína ou a doença da vaca louca como resposta de um meio de produção de alimentos desequilibrado.
No texto evidencia-se que, ainda que não explicitamente, o movimento Slow Food surgiu em resposta a uma industrialização da agricultura, e em contraposição à revolução verde – não pela produção de alimentos a todos, mas pelo modo que eles são produzidos. Essa relação pode, provavelmente, ser mais explicitada no decorrer do livro, fora do texto disponível. Além disso, há conceitos do Slow Food que não foram elucidados nesta seção introdutória, como o de Educação do Gosto, Arca do Gosto, Fortalezas e Aliança de Cozinheiros. Apesar disso, evidencia-se que são essas estratégias do movimento Slow Food para gerar engajamento dos membros com a comunidade em geral, e colocar em prática os valores do movimento de rede parceira do produtor, numa associação do consumidor como se fosse um co-produtor(ele auxilia o produtor comprando diretamente deles, explicitando suas demandas, trazendo feedbacks, entre outros).
Um outro conceito muito importante, porém não elucidado, é o de democracia alimentar. Superficialmente, pode-se depreender que esse termo se refere a uma crítica ética à revolução verde nos anos 80, que uniu movimentos sociais, movimentos ruralistas e movimentos ecologistas. Daí, inclusive, o Slow Food.
Os conceitos principais que norteiam o movimento são o de alimento bom, limpo e justo. Respectivamente, alimentos bons se referem ao prazer do gosto e aspecto cultural e qualitativo dos alimentos; alimentos limpos são associados à preservação e respeito à natureza e aos trabalhadores; então, alimentos justos são aqueles que possuem produção e consumo com justa relação, como por exemplo preço justo, além de não discriminação de nenhum grupo étnico, social ou de gênero.
Conclusão
O texto é a introdução de um livro muito maior sobre o movimento Slow Food. É recente, de apenas 6 anos atrás, então as referências não estão severamente desatualizadas. A inclusão de referências que serão mais para frente no texto esclarecidas trouxe um ar de curiosidade e ambição de leitura do livro completo, o que me fez, de fato, comprar uma cópia desse livro para leitura pessoal e profissional. É um material muito interessante, educativo e certamente bastante prazeroso de ler.
E aí, conheciam o Slow Food? Eu sou apaixonada pelo movimento desde que ouvi falar superficialmente dele no início da minha graduação em nutrição, láaaa em 2021. Depois, comprei livros do Carlo Petrini, assisti na Netflix “Chef’s Table: Legends” com o episódio sobre Alice Waters(mãe disseminadora do movimento na alta gastronomia!), e ao me juntar ao movimento, senti que fazia todo o sentido. Afinal, eu apoio uma comida boa, limpa e justa no meu prato – e no de todo mundo!
Referências:
Renê Birochi, Oscar José Rover e Glauco Schultz. Alimentos bons, limpos e justos
da Agricultura Familiar Brasileira. Florianópolis : Letras Contemporâneas, 2019. Disponível em: 001085790.pdf
Instagram da Profª Dra Andreia Tecchio
Pós-graduação que estou fazendo, caso queiram fazer também!
Instagram do Slow Food Cultura no Prato!
Chef’s Table: Legends na Netflix
Esse post também faz parte das minhas atribuições como Embaixadora do Programa de Embaixadores de Saúde Planetária do IEA-USP!


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