Eu gosto muito das ODSs 11 e 12: cidades e comunidades sustentáveis e consumo e produção responsáveis. Quando eu estava fazendo meu TCC da pós-graduação em Marketing, comecei a pesquisar sobre sustentabilidade, e conheci pela primeira vez o conceito de lixo zero. Foi uma virada na minha vida tão forte, mas tão forte, que me impacta até hoje, e foi o início da minha busca por mais conhecimentos relacionados a meio ambiente.

Tive até um período de obsessão: resolvi comprar tudo lixo zero, optei por tudo zero plástico, evitava ir em lugares com descartáveis. E ficou difícil, então eu desisti. Como tudo na vida, eu aprendi depois, o melhor é fazer o que é possível e duradouro, sem querer mudar o mundo em 24h. Agora, consegui implementar na minha vida o que eu sei que dou conta, como usando os saquinhos de pano feitos por artesãs ou de rede da Marulho, além de sacolas retornáveis, garrafas de inox, copos e canudos de silicone, tecidos reciclados, alumínio ao invés de plástico, entre outros. Aqui em casa guardamos todas as latinhas de alumínio de chá ou refri, colocamos num saco e, quando ela enche, damos para o moço que vende recicláveis que passa aqui na rua toda terça-feira. Então, dentro do meu possível, estou agindo. E isso é bom para todos. Quem consegue mais, faz mais, quem consegue menos, faz menos. Mas o importante é fazer.

Mas uma coisa que muita gente não dá bola, e nem percebe que é uma medida de resiliência climática, comunitária e econômica é ir em feiras livres da cidade. Eu moro em São Paulo, e a cidade é conhecida como Selva de Pedra – antes o apelido era Cidade da Garoa, mas agora não tem mais garoa, então ficamos com o outro nome. Mas, como dizem os grafitis espalhados nos muros, existe amor em SP. E existe sustentabilidade em SP também.
Quando vamos em feiras livres, conseguimos algumas coisas:
Preços relativamente menores, por haver menos intermediários no processo de produção-venda final;
A pegada de carbono é menor, também, pois os produtores costumam, em sua maioria, vender os seus produtos feitos no mesmo lugar, e vender não muito distante de seu território(o cambuci do Seu João não vem do nordeste, vem de Parelheiros na zona sul da cidade, por exemplo);
Menor pegada de carbono, pois as compras feitas pelo munícipe costumam ser perto de casa;
Por serem produtos sazonais, vendidos de acordo com a produção em suas épocas ideais, os alimentos tendem a ter menos agrotóxicos, mesmo quando produzidos de forma “convencional” não agroecológica;
E o meu favorito: ao comprar em feiras livres, estamos comprando local e fortalecendo pequenos produtores e produtores familiares.
Nada contra os mercados! Eles também possuem seu importante papel. Mas para lutar contra desertos e pântanos alimentares, feiras livres são essenciais!
Aqui nesse link tem o mapa de feiras livres da cidade de São Paulo. Tem em toda parte, então é só ver o mais perto de casa! Além disso, existem feiras agroecológicas e feiras de produtores, que costumam ocorrer em épocas específicas e podem ser itinerantes. Sem falar das feiras orgânicas, que existem na cidade toda, como podemos ver aqui no site do IDEC.


Mas, verdade seja, dita, acho que as melhores coisas das feiras livres de São Paulo são poder experimentar frutinhas que os feirantes oferecem, o pastel com caldo de cana e, finalmente, poder ver doguinhos diferentes toda semana!



Bora feirar! 🙂
Referências:
- GT Agenda 2030. ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Disponível em: https://gtagenda2030.org.br/ods/. Acesso em: 23 abr. 2025.
- Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Feiras Orgânicas. Disponível em: https://feirasorganicas.org.br/. Acesso em: 23 abr. 2025.
- PREFEITURA DE SÃO PAULO. Calendário de Sazonalidade de Frutas e Hortaliças. Portal da Prefeitura. Disponível em: https://capital.sp.gov.br/web/abastecimento/w/noticias/294187. Acesso em: 23 abr. 2025.
- FOLHA DE S. PAULO. Frutas e verduras de época têm menos resíduos de agrotóxicos. Agora São Paulo, 15 fev. 2020. Disponível em: https://agora.folha.uol.com.br/sao-paulo/2020/02/frutas-e-verduras-de-epoca-tem-menos-residuos-de-agrotoxicos.shtml. Acesso em: 23 abr. 2025.
- RECICLA SAMPA. A importância do movimento lixo zero para um futuro sustentável. Disponível em: https://www.reciclasampa.com.br/artigo/a-importancia-do-movimento-lixo-zero-para-um-futuro-sustentavel. Acesso em: 23 abr. 2025.
Esse post também faz parte das minhas atribuições como Embaixadora do Programa de Embaixadores de Saúde Planetária do IEA-USP!


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